Eu não poderia ter sido mais inocente, não? Usou-me apenas como um pretexto. Não vou te dizer que chorei, nem confessar que meu coração um dia te pertenceu. Por mais que eu queira, não irei até ti novamente. Vós se alimentava de meu desespero, angústia. Sabias que eu estava frágil, e mesmo assim deixou que eu caísse em tua armadilha. Como pode ser tão desprezível? Bom… Mas é como dizem: Aqui se faz, aqui se paga. Qual o preço? A vida. As palavras de amor que escorregavam por tua garganta haviam a muito sido decoradas. Cada passo teu foi calculado, cada mentira foi planejada. A mentira tem perna curta, querido. Como se sente agora? Encurralado, sem máscara… Quando a nossa intimidade havia derrubado o meu muro de proteção resolveste tentar me destruir? Palmas para a tua peça, teu espetáculo. Foi um ótimo show, tenho de admitir. O que eu achei melhor? O final. O grand finale. A cena da qual eu entro. Eu volto, em busca de respostas. Não é bom se ter um sentimento tão ruim, mas quer saber? Me sinto perfeita com o ódio explodindo em meu peito, escondendo o sofrimento. Mas ele está para acabar.
Eu não havia planejado nada. Me movi até o pequeno criado mudo que fica ao lado de tua cama. Pousei ali minha mão, e escorreguei lentamente para lhe beijar a testa. Um beijo de Adeus. E então, tirei de dentro da segunda gaveta, um pequeno punhal de prata. Meu dedo indicador passa pela lâmina afiada, e então parto para o sacrifício. Desenho um pequeno coração em meu pulso, com a ponta da arma. É uma merda estar sangrando tanto, mas pouco me importa agora. Vejo você abrir os olhos lentamente ao ouvir meu suspiro de dor… Quando finalmente os têm abertos, percebo um olhar de dúvida dentro deles.
Sorrio devagar e lhe digo: Engraçado como tudo acontece por um motivo, não? E então mordo o lábio lentamente, logo em seguida cravando o punhal em tua garganta. Assisto-te morrer, admirando teu sofrimento e desespero, enquanto teus olhos giram nas órbitas. Sussurro em teu ouvido, numa voz doce ”Eu te amo… e te odeio. A frágil linha que separava os sentimentos se arrebentou. Amar é ser inconseqüente.” Saio em passos arrastados de seu quarto. Deixo ali, a arma de um crime. O crime foi amar incondicionalmente. Matar quem se ama. Assim, matando todo o resto. As lembranças não vão se apagar, mas com a quantidade de medicina que ingeri, acho que logo farei com que meu cérebro para de receber oxigênio, e meu coração pare de bater.
Te encontro no inferno, amor.

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